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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Brasil de Sempre

BRASIL DE SEMPRE

Ganhou a força representativa
que citar autores, não se contentou,
Às ruas queria e reivindicava.
De verde e amarelo vociferou.

Peitou e bradou de quem negava
e no fim ganhou
de você que discordava,
mas na própria letargia
foi lento demais quando reagia.

Assim, porque cada povo
tem o governo que merece,
ganhou do povo,
o governo que merece.

(Brasil de Sempre, Quintino Tavares, 31 de agosto de 2016)

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domingo, 19 de abril de 2015

(DES)ARTE - meu soneto

Este poema - minha tentativa pelo soneto - escrevi em 1999, quando ainda meu único compromisso era com os estudos, durante a época universitária, em Florianópolis/SC, numa tarde tranquila, inspirada por algumas músicas de baixa qualidade que passavam no Rádio.
Acredito que o tema tratado ainda é muito pertinente, este mundo que tem se tornado cada vez mais sem gosto, imediatista e sem arte, ou como denominei "desarte". Espero que gostem:

(DES)ARTE

Dos versos lindos ninguém se recorda.
Daqueles velhos que assim escreveram
Os Homens hoje já não mais se lembram.
Sei que sonetos são coisas d'outrora.

Bernardes, Camões, Lobo, quem vos leram?
Dizem que vivemos a nova era.
A verdade deu lugar à mentira
E a poesia nobre os novos ignoram.

Mundo selvagem de exploração,
Onde alguns com tamanha ironia
Querem impor a globalização.

Mundo global, sem arte nem poesia,
Que nega a beleza ao coração,
Não terá a plena sabedoria.

(Florianópolis/SC, 09/04/99)

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Poesia - Para a minha mãe

A poesia abaixo eu a escrevi no ano de 2001 como sinal de agradecimento à minha mãe pela conclusão do curso. Ela ficou impressa na versão final da monografia (na parte dos agradecimentos),  mas nunca a publiquei. Acho que é o momento:


Obrigado, mãe!
Ainda sinto o eco do pilão batendo
No silêncio das madrugadas;
O barulho do fogareiro aquecendo
O óleo para as famosas frituras.

Recordo-me das lágrimas,
Da dor do teu silêncio,
Nas noites longas
Do meu estudo à luz do candeeiro.

Sei que querias mais,
Mas as vicissitudes da vida
Não permitiram outras fortunas.

Da vida maltratada,
Transformastes-me em poeta.
Da pobreza presenciada,
Concedestes-me sabedoria.

Mais do que mãe,
Tu fostes uma professora.
E na graça ou desgraça,
Aprendi que de tudo se pode rir.

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terça-feira, 8 de junho de 2010

Navegar é Preciso - Fernando Pessoa

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
                                                  (Fernando Pessoa)

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